Desde que foi inaugurado, em setembro de 2025,o novo Mercado de São Brás se tornou um polo gastronômico e de lazer para belenenses e turistas. Por lá, passam diariamente cerca de 5 mil pessoas nos dias úteis, com esse número dobrando aos fins de semana.O novo ponto turístico de Belém conta com 54 bares e restaurantes e 29 lojasque vendem os mais de diversos produtos.
Além de movimentar o setor gastronômico da cidade, o Mercado de São Brás abriu as portas e fomenta outra cena cultural de Belém: a da música. Com um número expressivo de pessoas visitando o espaço diariamente,tocar no Mercado de São Brás virou sinônimo de visibilidade para músicos e bandas de Belém.

Um dos nomes que integram essa cena é o músico Gaba Melo, de 25 anos, residente artístico do Mercado de São Brás. Ele se apresenta duas quartas-feiras por mês no espaço. Com cinco anos de carreira nas noites de Belém, Gaba desenvolve um projeto solo de voz e violão, com repertório voltado ao pop rock internacional. Para ele, o Mercado representa uma grande oportunidade de fortalecimento do cenário musical da cidade.
“O mais interessante do Mercado é que ele funciona de segunda a segunda, etodos os dias há música ao vivo. Isso abraçou bastante a nossa classe de músicos, porque abriu um leque de opções, com artistas de vários estilos musicais”, avalia.
Segundo Gaba, realizar shows no Mercado de São Brás ampliou significativamente o alcance do seu trabalho. Acostumado a se apresentar em casas noturnas específicas do circuito pop rock, ele destaca que o perfil diverso do público do Mercado possibilita que sua música chegue a pessoas que dificilmente o conheceriam em outros espaços. “Eu costumo tocar em casas muito específicas de pop rock, e no Mercado é um ambiente muito diverso. O público que me assiste lá possivelmente não me conheceria se eu não estivesse tocando nesse espaço”, explica.

Essa diversidade já trouxe resultados concretos para a carreira do músico. “Tem pessoas que me viram tocando lá e me contrataram para eventos fechados. Outra questão interessante é que músicos costumam tocar principalmente aos fins de semana, eo Mercado, funcionando de segunda a segunda com música ao vivo, movimenta a nossa vida financeira, ao tocarmos também durante a semana”, completa.

Artista paraense de trajetória consolidada, Arthur Espíndola é um dos nomes que já passou diversas vezes pelo palco do Mercado de São Brás. Em dezembro de 2025, o músico se apresentou todas as segundas-feiras com o projeto “Samba das Mangueiras”, que chegou a reunir cerca de 4 mil pessoas em uma única apresentação, confirmando a força do espaço como ponto de encontro musical em Belém. “Me apresentar no Mercado teve bastante importância para que esse projeto tenha dado certo”, destaca o artista. Com 15 anos de carreira, Espíndola mescla no repertório composições autorais e clássicos do samba brasileiro.
Mesmo já reconhecido no cenário local e nacional, o cantor avalia que as apresentações no Mercado de São Brás impulsionaram ainda mais sua carreira. “Eu percebia nos shows que muitos turistas vinham falar comigo, passaram a me seguir nas redes sociais e a comentar nos meus posts.O Mercado é uma grande vitrine para os artistas”, observa.

Para Espíndola, o impacto do espaço vai além da visibilidade. Segundo ele, o Mercado também cumpre um papel econômico importante. “Além de gerar emprego para diversos músicos, porque é um equipamento extremamente burocrático,mostra o trabalho de diferentes artistas da nossa terra para um público muito grande que circula no espaço todos os dias”, completa.
Ao longo da semana se apresentam no Mercado de São Brás 54 músicos e 17 DJs, que embalam o público com uma ampla variedade de ritmos, como brega, tecnobrega, forró, pop rock, carimbó, marcante, MPB, entre outros. As apresentações ocorrem, simultaneamente, sempre a partir das 18h30, reforçando o caráter democrático e plural da programação cultural. O espaço também busca sempre variar os profissionais que se apresentam semanalmente por lá.
Para o administrador do Mercado de São Brás e servidor da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (Sedcon), pasta responsável por administrar o espaço, Franklin Nahum, o local cumpre um papel estratégico na valorização da música local. “Esse é o ponto turístico mais importante de Belém e uma verdadeira vitrine para os músicos locais”, destaca.
Nahum explica ainda que a proposta do Mercado de São Brás é garantir espaço para o maior número possível de artistas. “Basta o músico se dirigir à administração do Mercado, que nós avaliamos a possibilidade de encaixe na agenda de shows. Um exemplo disso foi um músico que pediu para dar uma ‘canja’ de 15 minutos; o público gostou e, na outra semana, nós o chamamos para fazer um show inteiro no Mercado”, relata.
Assim, o novo Mercado de São Brás vai além de sua vocação histórica e comercial e reafirma-se como um território vivo de cultura, onde gastronomia, música e convivência se encontram, fortalecendo identidades e revelando talentos da cena artística paraense.
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Vento
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