Com o apoio do Governo do Pará, mulheres e jovens rurais da Transamazônica estão concorrendo para, ainda este semestre, receber R$ 2,5 milhões do Fundo Amazônia, por meio da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com o objetivo de investir na construção de uma fábrica de chocolate artesanal.
Nestas quinta (9) e sexta (10), no Travessão da Firma, um mutirão de emissão do Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF), pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), com foco no público feminino e na juventude - ação requerida pela Associação dos Produtores Rurais de Ituna II e III (Apri) -, contempla pelo menos quatro comunidades de Altamira e Senador José Porfírio: Ituna 3, Jaraninha, Picadão e Picadinho. A meta é de no mínimo 60 CAFs individuais.
A partir da documentação, a Associação, que representa 172 agricultores familiares dos dois municípios, habilita-se em nível coletivo para políticas públicas. No caso da chamada de estruturação de sistemas socioprodutivos de povos indígenas, povos e comunidades tradicionais e agricultores familiares (PIPCCTAFs), o patrocínio deve cobrir não só o beneficiamento comercial do cacau: a proposta da Apri inclui agroindustrialização de frutas e de mandioca.
O momento presencial de agora também é de prospecção de demandas de microcrédito rural, entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, via Banco da Amazônia e Caixa Econômica Federal, a fim de dar suporte à produção de banana, cacau e mandioca, entre outras atividades.
“A Emater é uma grande parceira, desde sempre junto com o Ideflor [Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade] e a Prefeitura. Com os CAFs, há seis anos fornecemos merenda escolar, no Pnae [Programa Nacional de Alimentação Escolar], e chegamos a atuar no PAA [Programa de Aquisição de Alimentos]. De banana, por exemplo, em 2026 estamos fornecendo 37 toneladas para as escolas; de macaxeira, 16 toneladas; de abóbora, 21 toneladas”, indica o presidente-fundador da Apri, Orlei Paulino, mais conhecido como “Marquinhos”, de 50 anos.
Para o supervisor regional da Emater em Altamira, o engenheiro agrônomo e técnico em agropecuária Júlio Albuquerque, o processo de atendimento pela Emater consolida-se historicamente ante questões de gênero e de idade: “Quando funcionamos na realidade do campo, é mister considerar as necessidades e desafios especiais de grupos em vulnerabilidade social potencial, como as mulheres, os jovens adultos, os adolescentes. Essas diretrizes são ferramentas de combate a violência doméstica, êxodo rural, falta de acesso a educação, desigualdade social. A Emater fortalece geração de trabalho e renda, empoderamento, independência financeira”, enumera.
Sucesso -Jovem, mulher, separada e microempreendedora, Cleidiane Félix, de 26 anos, planta e colhe abóbora, cacau e macaxeira no Sítio Anny e Anna, na comunidade Ituna 3, onde mora com os quatro filhos: Anny Caroline Freitas, de 11 anos; Anna Brenda Freitas, de nove anos; Wesley Gabriel Freitas, de quatro anos, e Ágata Gabrielly Freitas, de um ano e meio.
Associada da Apri, ela ainda não se denomina “empresária”: “É o futuro. Pretendo me tornar empresária. A ideia é aumentar trabalho e renda, ampliar o espaço e o mercado. Cada vez mais as coisas vão melhorando. Eu já forneço pra merenda escolar e tenho boa expectativa em relação ao chocolate, à farinha, com este novo edital do Fundo Amazônia”, diz.
Sobre o atendimento da Emater, Cleidiane classifica como “ótimo”: “Só sucesso. Facilita muito. Nós, mulheres, jovens, chefes-de-família, enfrentamos desafios únicos. Sermos incentivadas a nos capacitar, a gerar renda, faz toda a diferença”, conta.
Texto: Aline Miranda/Ascom Emater