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Belém

Aos 114 anos, Cine Olympia está de volta com restauração histórica

Obra resgata elementos originais, moderniza estrutura e devolve a Belém o cinema mais antigo do Brasil em funcionamento como símbolo vivo de memóri...

20/04/2026 09h10
Por: Redação
Fonte: Agência Belém
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Poucos espaços resistem ao tempo com a força simbólica de atravessar gerações, transformações urbanas e mudanças tecnológicas sem perder a essência. Em Belém, oCine Olympiaé um desses marcos raros.Mais do que um prédio histórico,é registro concreto de uma cidade já considerada a “Paris na América”, palco de encontros, memórias afetivas e da evolução da sétima arte.

Ao completar114 anos,o Olympia ressurge em meio a umcuidadoso processo de restauraçãoque não apenas recupera a estrutura, masreconecta passado e presenteem um mesmo cenário cultural.

No próximo dia24 de abril, o Cine Olympia celebra mais um capítulo da trajetória como um dos símbolos da cultura e damemória de Belém.Mais antigo cinema em atividade do Brasil,o espaço passa por um momento decisivo:umarestauração profunda e inédita, queresgata características originaisque estavam escondidas há décadas — como oarco da fachada, redescoberto durante as obras.

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Comcerca de 80% dos trabalhos de restauro concluídose previsão deentrega no segundo semestre deste ano, a intervenção em curso representa um marco napreservação do patrimônio histórico da capitalparaense. Trata-se de um reencontro com o passado e de um investimento no futuro da cultura local.

Das origens na Belle Époque ao símbolo cultural de Belém

Crédito: Instituto Pedra
Crédito: Instituto Pedra

Inaugurado em 24 de abril de 1912, oCine Olympiafoi construído em meio aoauge econômico do ciclo da borracha, período em que Belém vivia a fase mais próspera e sofisticada. Inspirada nos padrões europeus, especialmente franceses, a cidade ganhou ares de metrópole, consolidando-se como umpolo cultural.

“O Cinema Olympia é fruto de umaBelém glamourosa, marcada pela riqueza e pela influência da Belle Époque, quando a cidade era conhecida como a ‘Paris na América’”, contextualiza o arquiteto do Departamento de Patrimônio Histórico da Secretaria Municipal de Cultura de Belém (Secult), Jorge Pina.

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Segundo ele, o cinema foiidealizado pelos empresários Antônio Martins e Pedro Teixeira, que perceberam a necessidade deampliar a oferta culturalem um território já movimentado por espaços como o Theatro da Paz e a Praça da República.

Inicialmente dedicado ao cinema mudo, o Olympia contava com um piano para acompanhar as exibições — um elemento que agora retorna como peça central da história do espaço. Ao longo das décadas, o prédio passou pordiversas transformações arquitetônicas, transitando do estilo eclético, com influência neoclássica e art nouveau, para o art déco e, posteriormente, para o modernismo.

O achado que mudou o rumo da obra

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

O atual processo de restauração ganhou umcapítulo inesperado— e decisivo — quando,durante inspeções estruturais, técnicos identificaram vestígios da fachada original do cinema, que se acreditava perdida.

“O arco original estava lá, apenas camuflado pelas intervenções feitas ao longo do tempo. Foium achadoextremamente significativo”, destaca Jorge Pina.

A descoberta levou àrevisão do projeto inicial, que previa uma fachada moderna.A partir de então, equipes técnicas optaram porresgatar integralmente os elementos originais, devolvendo ao prédio características do início do século XX.

A decisão exigiu umtrabalho minucioso de preservação, alinhandotécnicas contemporâneas de engenhariaà valorização histórica. A obra é executada pela empresa GM Engenharia, com acompanhamento de especialistas e instituições voltadas à conservação do patrimônio. A coordenação do projeto é do Instituto Pedra, com financiamento viabilizado por meio de recursos da Vale, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco da Amazônia (BASA), através da Lei Rouanet.

Ao todo, o investimento somaR$ 16.152.270,29— valor referente ao projeto cultural como um todo, que incluiações de preservação, memória e requalificação do espaço.

Reta final das obras e modernização do espaço

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Atualmente, asobras no Cine Olympia estão em fase de acabamento. De acordo com a engenheira Gabriela Cascais, os trabalhos avançam para a conclusão.

“Estamos na fase final, com revestimentos, pintura, instalação de forros, esquadrias e portas. A parte civil deve ser concluída em breve, dando espaço para ainstalação dos equipamentos e mobiliário”, explica.

Durante a obra, foram necessários reforços estruturais após o surgimento de fissuras nas paredes, além darecuperação total do telhadocom mantas metálicas.O projeto tambémincorpora soluções modernas, como equipamentos de projeção de última geração, para garantir qualidade técnica compatível com os cinemas contemporâneos.

Onovo Olympia contará com 255 poltronas— número reduzido em relação à capacidade original, mas adequado ao perfil atual dos cinemas de rua — e umbar interno com estrutura envidraçada, permitindo que o público acompanhe as sessões enquanto consome no espaço, sem interferir na plateia principal.

Memória preservada e novos usos culturais

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Um dos destaques do projeto é a criação de umasala de memória, que funcionará como um pequeno museu dentro do cinema. O espaço reunirápeças históricas, como o antigo projetor e o piano utilizado na época do cinema mudo — recentemente adquirido pela Prefeitura de Belém para integrar o acervo.

Além disso, o local será dedicado aações de educação patrimonial, com atividades voltadas à valorização da história do cinema, da cidade e do próprio prédio, conectando diferentes gerações ao legado cultural do Olympia.

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho

Um renascimento cultural para a cidade

Para a secretária de Cultura, Raphaela Segadilha, a restauração do Cine Olympia simboliza muito mais do que a recuperação de um edifício histórico.

“O cinema mais antigo do Brasil completará 114 anos. Apesar de estar inativo desde 2020, é imprescindível a sua preservação, pois trata-se de umamemória cultural de várias gerações, que prestigiaram obras desde o cinema mudo até produções contemporâneas”, afirma.

“Sua restauração representa umrenascimento cultural, preservando essa herança, educando novas gerações e reacendendo a sétima arte como ponte entre passado e futuro”, completa.

Presente para Belém

Com a conclusão das obras e a posterior instalação de equipamentos — muitos deles ainda em processo de aquisição, inclusive no exterior —, areinauguração do Cine Olympia está prevista para o segundo semestredeste ano.

Restaurado e requalificado, o espaço reafirma avocação culturale se reposiciona como palco de novas histórias, sem perder as marcas que o tornaram um dos maiores símbolos de Belém.

Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho
Crédito: Paula Lourinho