A tradição que há décadas colore as ruas de Belém ganhou um novo cenário na manhã desta quarta-feira (3). O Arrastão do Pavulagem percorreu os corredores do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), levando música, interação e momentos de descontração a pacientes, familiares e profissionais da saúde durante a abertura da programação junina da unidade. A visita também marcou o nono ano consecutivo da parceria entre o Hoiol e o Instituto Arraial do Pavulagem (IAP), que une cultura popular e humanização para proporcionar momentos de alegria e bem-estar aos usuários.
Percorrendo enfermarias, ambulatórios e demais setores do hospital, integrantes do Batalhão da Estrela apresentaram um repertório repleto de ritmos que tradicionalmente tomam conta das ruas da capital paraense durante o período junino. A coordenadora de Humanização do Hospital Octávio Lobo, Natacha Cardoso, destacou que a ação faz parte das estratégias desenvolvidas na unidade, que busca oferecer um cuidado integral aos pacientes, considerando não apenas os aspectos clínicos do tratamento, mas também o bem-estar emocional e social das crianças e adolescentes atendidos na instituição.
"A cultura faz parte da construção de cada indivíduo. Somos resultado do meio em que vivemos e das manifestações culturais que nos cercam. Por isso, trazer o Arrastão do Pavulagem para o Hoiol é tão importante. É falar da cultura amazônica, do patrimônio cultural reconhecido nacionalmente. Quando associamos cultura, arte e educação ao cuidado em saúde, promovemos alegria, pertencimento e qualidade de vida", afirmou a coordenadora.
Cortejo -A ação iniciou na Classe Hospitalar Prof. Roberto França, com uma breve explicação sobre o universo do Boi Pavulagem, envolvendo arte, educação e cultura popular. Segundo Natacha, as atividades culturais desempenham um papel importante na construção de um ambiente mais leve e acolhedor durante a jornada terapêutica dos pacientes. Ela explicou que as atividades começam na classe, onde os pacientes têm contato com elementos da cultura regional por meio da música, da dança e das brincadeiras ligadas ao boi.
Para Natacha, a proposta fortalece a identidade cultural das crianças e adolescentes ao mesmo tempo em que promove bem-estar e humanização. "Trazer o ‘Arrastão’ para o Hoiol reforça a transdisciplinaridade, por isso começamos pela classe hospitalar. Reunimos diferentes áreas do conhecimento em torno de um mesmo objetivo, que é contribuir para a formação integral dos pacientes. Quando trazemos a cultura regional para a sala de aula e proporcionamos aos pacientes a oportunidade de vestir a roupa do boi, tocar instrumentos, cantar e dançar junto com o grupo, ampliamos horizontes, fortalecemos a identidade cultural e promovemos aprendizado de forma significativa."
Para Diane Sena, integrante do Arraial do Pavulagem, a visita anual ao hospital transcende a performance artística, atuando como uma importante ferramenta de humanização que conecta pacientes às raízes da cultura amazônica. Segundo a artista, ao levar as cores, a música e a energia dos cortejos para dentro da unidade de saúde, o grupo busca romper o isolamento do ambiente clínico, permitindo que aqueles que estão em tratamento vivenciem, mesmo que de forma adaptada, a alegria e a vivacidade dos arrastões.
"Acredito profundamente que a cultura popular tem o poder de transformar a experiência hospitalar, levando esperança e acolhimento a quem enfrenta um período de fragilidade. Para nós, compartilhar essa vivência é imensamente gratificante. Ver o sorriso de uma criança e sentir o impacto positivo da nossa cultura em um momento tão delicado é uma experiência especial, que reforça o propósito maior do nosso trabalho e a importância de promovermos momentos de felicidade em meio ao tratamento", disse.
A presença do Boi Pavulagem animou o público infantojuvenil em tratamento, que, embalado pelas toadas do Arraial do Pavulagem, foi envolvido pela energia do Batalhão da Estrela nos corredores. “Gostei da música, das cores, da dança. Eu gosto muito de dançar", afirmou a paciente Emanuele Nogueira, 10 anos.
Pouco a pouco, outros sorrisos surgiram nos rostos de crianças, adolescentes, pais e responsáveis, a exemplo de Ruth Alves, 34 anos, mãe do paciente Ruan Miguel, 6 anos. Naturais do município de Parauapebas, sudeste paraense, eles conheceram o Arraial do Pavulagem nesta manhã durante a internação do menino.
"Por conta do tratamento, não podemos sair, não vemos quase nada, só os carros passando pela janela. Quando ouvimos o barulho dos tambores, ele perguntou para mim o que estava acontecendo e eu o coloquei na cadeira para que pudesse presenciar esse momento. Não conhecíamos o boi nem o arrastão, mas foi lindo, divertido, interessante e o Ruan gostou muito", disse Ruth.
Serviço:Credenciado como Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, o Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo é referência na região amazônica no diagnóstico e tratamento especializado do câncer infantojuvenil para pacientes de 0 a 19 anos. A unidade é gerenciada pelo Instituto Diretrizes (ID), por meio de contrato de gestão com a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa).
Texto: Ascom/Hoiol
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