Nos corredores onde o lúdico abraça a medicina de alta complexidade, uma nova conquista redefine os parâmetros da oncologia pediátrica no Norte do País. O Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo (Hoiol), em Belém, alcançou o topo do pódio da qualidade hospitalar ao receber a certificação de Acreditado com Excelência, o Nível 3, grau máximo concedido pela Organização Nacional de Acreditação (ONA). O reconhecimento aponta a segurança na operacionalização dos processos e a eficiência na gestão, apoiados por rigor técnico para promover a assistência dos pacientes.
Para atingir esse patamar, o hospital foi submetido a uma análise detalhada de evidências de conformidade, preconizadas pelas diretrizes internacionais de saúde. A avaliação foi realizada pela equipe do Instituto Qualisa de Gestão (IQG), Instituição Acreditadora Credenciada (IAC) pela ONA. Da triagem inicial à administração de quimioterápicos de alta vigilância, cada protocolo foi testado, provando que o foco permanente na melhoria contínua deixou de ser uma meta de planejamento para se tornar a cultura da instituição.
“A certificação recebida é muito importante para a saúde pública do Pará e para a assistência oncológica pediátrica. Esse reconhecimento atesta o compromisso permanente da equipe com a segurança do paciente, a excelência dos processos e a qualidade do cuidado prestado às nossas crianças e adolescentes. O resultado é fruto do trabalho integrado de profissionais dedicados e dos investimentos contínuos do Governo do Estado no fortalecimento da rede assistencial de saúde, garantindo um atendimento, cada vez mais, humanizado, eficiente e alinhado aos mais elevados padrões nacionais de qualidade”, destacou o titular da Sespa, Ualame Machado.
Para Marcio Bettini, diretor-geral corporativo do Instituto Diretrizes (ID), organização social de saúde que administra a unidade em parceria com a Sespa, “a consolidação dos padrões ONA é consequência de uma transformação profunda que acontece na ponta, onde ocorre a assistência, traduzida em respeito, dignidade e, acima de tudo, segurança”.
“Ao atestar não apenas a segurança clínica, mas também a inteligência nos processos de retaguarda, a validação externa consolida o Hospital Octávio Lobo como uma referência nacional em gestão pública sustentável. É o atesto de que, mesmo diante dos desafios geográficos e sociais da região amazônica, é possível entregar uma medicina pública com o mesmo padrão ouro dos maiores centros hospitalares privados do Brasil”, concluiu Bettini.
A diretora-geral da unidade, Sara Castro, destaca que receber o selo de excelência insere o hospital em um grupo seleto de instituições de saúde no País. “Investimos muito no desenvolvimento das lideranças, no fortalecimento da comunicação e no envolvimento das equipes nos processos de melhoria. Criamos um ambiente onde as pessoas passaram a enxergar valor nos indicadores, nos protocolos e na gestão de riscos. Não como burocracia, mas como ferramentas para cuidar melhor. Tenho muito orgulho do time que construímos”, ressaltou.
“Para o Hoiol, esse reconhecimento marca um capítulo muito importante da nossa história. É a validação de anos de dedicação, aprendizado, superação de desafios e fortalecimento de uma cultura baseada na qualidade e na melhoria contínua. Já para a saúde pública do Pará, demonstra que é possível alcançar os mais altos padrões de excelência dentro do SUS (Sistema Único de Saúde), e oferecer uma assistência com segurança, processos bem estruturados e equipes comprometidas com resultados cada vez melhores”, complementou a gestora.
Sara Castro destaca ainda que a conquista representa um novo começo. “Agora temos a responsabilidade de continuar evoluindo, inovando e fortalecendo tudo o que construímos até aqui. Ver nossos profissionais defendendo a cultura da qualidade, propondo melhorias e assumindo protagonismo, demonstra que alcançamos algo maior do que uma certificação, consolidamos uma cultura. Tenho convicção de que, ao lado de uma equipe comprometida e apaixonada pelo que faz, continuaremos escrevendo capítulos ainda mais importantes para o Hospital e para a saúde pública do Pará”, afirmou.
Gestão orientada por indicadores e foco no paciente
A acreditação ONA nível 3 reflete um modelo de gestão que une dados estatísticos e excelência no cuidado, conforme explica a gestora de Qualidade do Hoiol, Arline Faccin. “Um exemplo prático é o monitoramento da Lei dos 60 dias, que garante o início do tratamento oncológico em até dois meses após o diagnóstico. A análise sistemática dos dados permite identificar gargalos e implementar ações corretivas, como uma maior integração entre as equipes e o monitoramento próximo dos casos. Como resultado da eficácia dessas medidas, a instituição alcançou 99% de conformidade no cumprimento da lei.”
Durante o processo, as visitas in loco e a análise de dados do Núcleo de Segurança do Paciente comprovaram a adesão prática do hospital às Metas Internacionais de Segurança do Paciente. O monitoramento contínuo de indicadores e a análise da gestão de riscos, governança clínica, capacitação e cultura de segurança reforçaram que a excelência institucional vai além dos manuais, reflete-se na integração diária dos setores e na capacidade de transformar resultados em valor real para o paciente oncológico.
Ainda segundo Arline, os indicadores assistenciais apontaram uma evolução consistente. “Em 2026, a média do tempo para início do tratamento quimioterápico alcançou 0,5 dia. E o tempo médio entre o diagnóstico e o tratamento da leucemia linfoide aguda foi reduzido para zero dia em diversos períodos monitorados. Esses dados refletem uma cultura institucional em que os indicadores não são apenas números, mas ferramentas para tomada de decisão e melhoria contínua da assistência”, destacou.
Compromisso, pertencimento e impacto que geram reconhecimento
Os principais destaques apontados pelos avaliadores do IQG foram o engajamento da diretoria com os processos de qualidade e segurança, o pertencimento das equipes e o impacto social e assistencial que a instituição exerce na oncologia pediátrica. Ressaltaram ainda o papel de referência estadual em oncologia pediátrica no Pará e na Amazônia, atendendo pacientes dos 144 municípios paraenses por meio das quatro macrorregiões de saúde.
“Os peritos do IQG também destacaram o fato de o Hoiol ser uma Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e a maior instituição pública do Brasil com leitos exclusivos para oncologia pediátrica pelo SUS. Entre os diferenciais apontados estão a robusta capacidade instalada, que inclui leitos clínicos, UTI pediátrica, centro cirúrgico e a expansão dos serviços de quimioterapia, além do reconhecimento nacional como um dos 100 melhores hospitais públicos do Brasil em 2026”, concluiu Arline Faccin.
Moradora de Igarapé-Miri, no nordeste paraense, Josinéia Miranda, de 30 anos, acompanha a filha, Maria Isis, de 3 anos, em tratamento contra a leucemia há três meses. Segundo ela, o encaminhamento para a unidade ocorreu de forma rápida e o atendimento tem sido marcado pelo acolhimento e pela segurança transmitida pela equipe.
“Para mim foi muito importante ela (Maria Isis) ter vindo logo para cá. Várias pessoas me indicaram este hospital por ser uma referência e, graças a Deus, desde o primeiro dia em que ela internou, foi tudo muito rápido. Não precisei esperar. Desde então, temos recebido um ótimo atendimento. Eles (profissionais de saúde) passam todas as orientações necessárias, explicam sobre os medicamentos, confirmam o nome dela e os horários. Eu me sinto bastante segura aqui”, afirmou a mãe, enquanto acompanhava a filha, que está internada para a terceira fase do tratamento quimioterápico.
Texto:Ascom/Hoiol
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