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Doença de Chagas: especialista alerta para prevenção e risco de complicações cardíacas

Infecção geralmente causada pela ingestão de alimentos contaminados requer diagnóstico precoce e tratamento imediato para evitar agravamento do qua...

14/04/2026 18h53
Por: Redação
Fonte: Secom Pará
Foto: Ascom HC
Foto: Ascom HC

A doença de Chagas, infecção causada pelo protozoárioTrypanosoma cruzi, ainda exige atenção, especialmente na região amazônica, onde a principal forma de transmissão ocorre pela ingestão de alimentos contaminados, como o açaí, quando não há higienização adequada.

De acordo com a cardiologista do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, Dilma Souza, a doença pode evoluir de forma silenciosa e apresentar riscos graves quando atinge o coração, tornando fundamental o reconhecimento precoce dos sintomas.

A médica explica que, “quando a pessoa está doente, pode apresentar febre por mais de sete dias, geralmente no período da tarde, o que chamamos de febre vespertina. O paciente pode apresentar inchaço no rosto, chamado de edema de face, que pode se estender para as pernas. Também podem surgir manchas no corpo, dor de cabeça e astenia, que é aquele cansaço intenso, um mal-estar, uma moleza”.

Segundo a especialista, a maior gravidade da doença é quando atinge o coração. “O paciente pode apresentar frequência cardíaca acelerada, que pode ser percebida ao palpar o pulso, além de arritmias, com o coração batendo de forma descompassada. O coração também pode aumentar de tamanho, o que chamamos de cardiomegalia. Pode haver ainda derrame pericárdico, que é o acúmulo de líquido na membrana que envolve o coração, além de falta de ar”, acrescenta.

Dilma Souza ressalta que a principal forma de prevenção é a higiene dos alimentos, principalmente o açaí. É importante verificar a limpeza do local e as práticas usadas na preparação do açaí que está sendo consumido, principalmente se o vendedor realiza o processo de higienização adequado, por meio do branqueamento.

Tratamento e pesquisas -De acordo com a especialista, o medicamento disponível no Brasil é o benzonidazol, e quanto mais precoce for o início do tratamento, maiores são as chances de cura, porque o medicamento elimina o parasita. O tratamento é feito de acordo com o peso do paciente e dura cerca de 60 dias. A medicação pode ser obtida por meio da vigilância epidemiológica do município, após o diagnóstico da doença de Chagas.

Além do tratamento disponível, a especialista destaca que o avanço das pesquisas é fundamental para ampliar as possibilidades terapêuticas. “O Hospital de Clínicas está envolvido em proposta de pesquisas futuras para o desenvolvimento de novos medicamentos que podem até curar a doença de Chagas”, informa a cardiologista.

Sintomas- Além das orientações médicas, a atenção aos sintomas é fundamental para evitar complicações mais graves, relata a servidora pública Rosicleide da Silva, 55 anos, que enfrentou a doença após, inicialmente, ser tratada como virose.

“Eu comecei a sentir os sintomas da doença em dezembro. Comecei a adoecer e, a princípio, os médicos achavam que era um quadro clínico de virose. Mas, com o passar do tempo, não houve melhora clínica. Você sente muita fraqueza no corpo, cansaço, a pressão fica baixa. A gente acaba ficando muito debilitada por conta da febre, das dores nas articulações e da falta de apetite. Foi dessa forma que eu descobri que estava com a doença de Chagas", conta Rosicleide, uma das vítimas de açaí contaminado pelo parasita.

"A minha mãe costuma consumir açaí todos os dias. Apesar de eu não ser tão fã assim, acabei tomando, e foi aí que aconteceu a contaminação. Fui internada em dezembro, recebi alta, mas não tive melhora. Acabei sendo internada novamente por conta da situação cardíaca”, explica a paciente.

Após concluir o tratamento para doença de Chagas, Rosicleide faz o acompanhamento médico e ainda usa a medicação para tratar as complicações cardíacas decorrentes da infecção.

A experiência reforça a importância da atenção aos sintomas e da busca por atendimento especializado diante de sinais persistentes. Medidas simples, como a higienização adequada dos alimentos, aliadas ao acesso ao diagnóstico e tratamento, são fundamentais para reduzir os impactos da doença e evitar complicações, especialmente cardíacas.