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SUPERAÇÃO

Hospital Galileu devolve a voz e transforma a vida de pacientes com doenças da traqueia

Referência no Pará, unidade do governo estadual, realiza procedimentos complexos que restauram respiração e fala na rede pública

16/04/2026 10h58
Por: Redação
Fonte: Secom Pará
Foto: Ascom/HPEG
Foto: Ascom/HPEG

Foram quase dois anos sem conseguir falar — um silêncio imposto após um grave acidente de motocicleta que mudou completamente a rotina de Bruno Alves de Sousa, de 29 anos. Depois de sofrer um traumatismo craniano, ele precisou ser intubado e passou por uma traqueostomia, procedimento essencial para garantir sua sobrevivência, mas que trouxe limitações importantes. Três anos após o acidente, Bruno iniciou um novo capítulo ao ser internado no Hospital Público Estadual Galileu (HPEG), na Grande Belém, para retirada do dispositivo e tratamento da estenose traqueal, condição que estreita a via aérea e pode comprometer funções como a fala.

Apesar de não apresentar dificuldades respiratórias constantes, o impacto da traqueostomia era diário — principalmente pela impossibilidade de se comunicar. Em apenas 14 dias de acompanhamento na unidade, ele já percebe mudanças significativas.

“Melhorou a fala, a respiração, a alimentação, a qualidade de vida e até a parte psicológica”, relata. Bruno também destaca o suporte recebido durante a reabilitação, com atuação integrada da fisioterapia e da fonoaudiologia. “Tive muito mais apoio aqui do que em outros hospitais onde fiquei internado”, afirma. Em recuperação, ele deixa uma mensagem a quem enfrenta situação semelhante: “É preciso ter paciência, confiar em Deus e não deixar a mente vazia”.

Histórias como a de Bruno refletem o papel do HPEG como referência no tratamento de doenças complexas das vias aéreas no Pará. Em alusão ao Dia Nacional da Voz, celebrado em 16 de abril, a unidade reforça o impacto desses atendimentos especializados na rede pública de saúde, indo além da recuperação clínica e promovendo a retomada da comunicação e da qualidade de vida dos pacientes.

Segundo o cirurgião torácico Ajalce Janahú, o hospital se destaca principalmente no tratamento de estenoses da traqueia não-neoplásica, geralmente associadas a longos períodos de intubação. “As estenoses são estreitamentos da traqueia que impedem a passagem do ar de forma parcial ou total, podendo levar à insuficiência respiratória e até à perda temporária da fala”, explica.

Além das estenoses, outras condições também podem comprometer a voz, como câncer de laringe, paralisia das pregas vocais e complicações decorrentes de cirurgias da tireoide ou de radioterapia na região cervical. Nem sempre esses casos estão associados à respiração, mas todos impactam diretamente a comunicação e a qualidade de vida dos pacientes.

No Hospital Galileu, os procedimentos são voltados à reconstrução da via aérea, permitindo a retomada da respiração e, consequentemente, da fala. “Ao restabelecer a passagem do ar, possibilitamos novamente a vibração das pregas vocais, trazendo o retorno imediato da fonação”, destaca o especialista. As intervenções podem ser realizadas por via endoscópica, pela cavidade oral, ou por cirurgia aberta, com abordagem cervical e reconstrução da traqueia.

Os casos mais frequentes atendidos pela equipe estão relacionados a internações prolongadas em UTI, especialmente em pacientes com traumatismo craniano grave — muitos deles vítimas de acidentes de motocicleta. Ao todo, a unidade realiza cerca de 250 atendimentos intervencionistas por ano, atendendo, em média, 60 pacientes dentro de um programa contínuo que inclui exames, dilatações, uso de órteses e cirurgias.

A complexidade desses procedimentos exige alta especialização e disponibilidade constante da equipe. “Uma intercorrência pode comprometer todo o resultado terapêutico, tornando a traqueostomia definitiva. Além disso, precisamos estar preparados para atuar em emergências respiratórias a qualquer momento”, ressalta Ajalce Janahú.

Mais do que recuperar funções fisiológicas, o tratamento representa uma transformação completa na vida dos pacientes. “Não são apenas limitações da respiração e da fala. Muitos perdem o olfato, enfrentam dificuldades intestinais e sofrem com o impacto social da traqueostomia. Quando conseguimos reverter esse quadro, o resultado é emocionante. O ‘muito obrigado, doutor’, dito com voz, é o que nos move”, relata.

Entre os avanços na área, o especialista destaca o desenvolvimento de próteses mais eficazes e pesquisas com células-tronco para reconstrução da traqueia, que podem revolucionar o tratamento de casos mais complexos no futuro.

A traqueostomia, procedimento comum nesses pacientes, é geralmente indicada em casos de intubação prolongada ou obstruções graves da via aérea. No hospital, o cuidado é conduzido por uma equipe multiprofissional, que inclui médicos, enfermeiros, fonoaudiólogos e fisioterapeutas, garantindo orientação e segurança no manejo após a alta.

O acesso ao serviço pelo SUS ocorre por meio da regulação estadual. Pacientes internados são transferidos via central de leitos, enquanto os demais podem ser encaminhados por unidades como UPAs, Usinas da Paz e ambulatórios, por meio da Central de Consultas da Secretaria de Estado de Saúde Pública.

Apesar de ser referência, o hospital ainda enfrenta o desafio da divulgação do serviço. “Muitos pacientes vivem traqueostomizados sem saber que a condição pode ser revertida. Existe tratamento, é gratuito e pode devolver a voz. Literalmente, precisamos dar voz a esses pacientes”, conclui o cirurgião.

Texto: Ascom/HPEG