O Instituto de Educação do Estado do Pará (IEEP), vinculado à Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Educação Superior, Profissional e Tecnológica (Sectet), realizou, nesta quarta-feira (15), um júri simulado com alunos do curso de Tecnologia da Informação (TI). A atividade reuniu cerca de 40 alunos e abordou casos relacionados a crimes digitais e ao uso ético de dados, colocando os estudantes diante de situações práticas da área.
A proposta teve como objetivo estimular o pensamento crítico e a argumentação, além de promover a compreensão da aplicação prática de legislações como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), a Constituição Federal, o Código Penal e o Marco Civil da Internet. A iniciativa também incentivou a reflexão sobre os limites entre ética, legalidade e responsabilidade profissional, bem como o impacto social das decisões tecnológicas.
A professora dos cursos técnicos de Informática e Desenvolvimento de Sistemas, responsável pela atividade, Joana Darc Lopes, disse que o júri simulado busca ampliar a formação dos estudantes para além do conhecimento técnico. “Os alunos utilizaram fundamentos legais e princípios éticos para sustentar seus argumentos, exercitando competências como comunicação, tomada de decisão e trabalho em equipe. A atividade proporcionou um ambiente dinâmico, participativo e interdisciplinar, fortalecendo a formação de profissionais conscientes, críticos e responsáveis”, afirmou.
Durante a atividade, os estudantes assumiram diferentes papéis, como juiz, promotoria, defesa, jurados e testemunhas, simulando um julgamento com base em legislações vigentes e princípios éticos.
O aluno Jefferson Luan Sousa de Moraes destacou a relevância da experiência para a formação profissional. “Participar do Tribunal do Júri foi uma experiência muito interessante. No caso sobre o vazamento de dados, conseguimos entender melhor a importância da ética e da responsabilidade no uso de informações sigilosas. Também ficou claro que o erro pode ser tanto do profissional quanto da empresa, principalmente quando não há medidas de segurança adequadas, além da importância da LGPD na área de tecnologia”, relatou.
A dinâmica foi estruturada a partir de dois casos. O primeiro, “O Vazamento de Dados”, tratou da conduta de um analista que acessa informações sigilosas e as compartilha com terceiros, levantando discussões sobre responsabilidade individual e falhas institucionais. O segundo, “O Algoritmo Invisível”, abordou a denúncia de um cientista de dados sobre um sistema de inteligência artificial com potencial discriminatório, trazendo à tona debates sobre ética, legalidade e responsabilidade no desenvolvimento de tecnologias.
Para a aluna Larice Maia, a atividade aproximou o conteúdo teórico da prática profissional. “A proposta foi muito interessante, porque trouxe uma dinâmica diferente para a turma. Tivemos a oportunidade de estudar, ensaiar e apresentar, tornando o aprendizado mais ativo. Foi enriquecedor perceber como os conteúdos vistos em sala podem ser aplicados na prática, mesmo em um caso fictício, e entender melhor como funcionam as leis voltadas para a área da tecnologia”, afirmou.
O júri simulado integra a avaliação da disciplina de Ética Profissional e Legislação Aplicada, consolidando o aprendizado dos alunos por meio da aplicação prática dos conteúdos abordados em sala.
Texto: Áurea Ribeiro, estagiária, sob supervisão de Bruna Ribeiro.