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Senado Federal

Senadores e juristas defendem fortalecimento da Justiça do Trabalho

Cerca de 100 anos atrás, os conflitos trabalhistas eram normalmente tratados como casos de polícia, conforme destaca o próprio texto da proposta qu...

13/07/2026 15h10
Por: Redação
Fonte: Agência Senado
O Senado promoveu uma sessão especial para celebrar os 50 anos da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O Senado promoveu uma sessão especial para celebrar os 50 anos da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

Cerca de 100 anos atrás, os conflitos trabalhistas eram normalmente tratados como casos de polícia, conforme destaca o próprio texto da proposta que deu origem à Justiça do Trabalho, em 1934. Hoje, os trabalhadores têm suas demandas analisadas por juízes especializados — que foram homenageados em sessão especial do Senado nesta segunda-feira (13).

A sessão teve o objetivo de celebrar os 50 anos da Associação Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), que foi criada em 1976. A cerimônia aconteceu a pedido — RQS 88/2026 — do senador Paulo Paim (PT-RS).

Os convidados defenderam o fortalecimento da Justiça do Trabalho como forma de proteger os trabalhadores diante dos riscos decorrentes dos novos empregos de aplicativos, da automação da produção e da "pejotização" (que ocorre o profissional é contratado como se fosse uma empresa, ou seja, como pessoa jurídica).

O senador Laércio Oliveira (PP-SE), que presidiu a sessão, ressaltou que a Anamatra, além de defender os interesses dos juízes do trabalho, busca aprimorar o direito do trabalho ao participar de discussões parlamentares.

— A valiosa relação da Anamatra com o Congresso Nacional permite que o processo legislativo conte com a experiência prática de magistrados especializados. A entidade oferece subsídios técnicos aos parlamentares e participa do debate público sobre temas que afetam milhões de trabalhadores — disse Laércio.

Paulo Paim lembrou que a associação atuou contra o que ele chamou de fragilização de direitos tanto no caso da reforma trabalhista de 2017 como diante da ausência de previsão especial para trabalhadores de aplicativos na Previdência Social.

O senador também citou a participação da Anamatra na elaboração da Constituição de 1988.

— Recordo o papel decisivo da Anamatra na Constituinte de 1988, quando o valor social do trabalho foi erguido como fundamento da nossa República — afirmou Paim, que participou da cerimônia de forma remota.

Novos desafios

Fundador da Anamatra, o ministro aposentado do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Horácio de Senna Pires lembrou que pelo menos desde os anos 1990 criticava o que chamou de “reformas castradoras [resultantes] de um novo liberalismo” que busca reduzir as regras estatais para o trabalho, que seriam supridas pelas regras de mercado. A tendência continua a se repetir, apontou.

— [As reformas exigiam], em futuro não muito distante, o aniquilamento do próprio direito do trabalho. Da crescente concentração de capital e de poder, diante de um capitalismo que não teme volver às práticas mais selvagens, ouso afirmar que o direito do trabalho é, hoje, mais necessário do que no passado. A proteção jurídica do trabalhador torna-se indispensável em face das novas concepções e práticas econômicas e ideológicas.

O procurador do Trabalho do Ministério Público do Trabalho (MPT) Ângelo Fabiano Farias da Costa argumentou que a Justiça trabalhista deve buscar a melhoria de vida dos brasileiros diante dos novos desafios trabalhistas .

— Os desafios são muitos: enfrentamos pejotização, plataformização, desafios da inteligência artificial. Os juízes do trabalho estão preparados para ajudar a sociedade.

Extinção

O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello, mencionou que já houve debates no passado sobre a extinção da Justiça do Trabalho, em que a Anamatra atuou pela sua conservação.

— Quando a própria existência da Justiça do Trabalho foi objeto de questionamentos, a Anamatra igualmente se fez presente, reafirmando a importância dessa Justiça especial para a concretização dos direitos fundamentais para o equilíbrio das relações de trabalho e para a pacificação social. É um dos instrumentos mais importantes de cidadania e justiça social previstos pela nossa Constituição.

Em 1999, por exemplo, o Senado discutiu a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 63/1995, que extinguiu a figura de juízes de trabalho que representavam trabalhadores e empregados (os juízes classistas) . Na ocasião, alguns senadores defendiam a incorporação da Justiça do Trabalho à Justiça comum, em razão do que chamavam de desperdício de recursos públicos, entre outras questões.

Os convidados ainda elogiaram a Emenda Constitucional 45, de 1999 , que reformou o Poder Judiciário. Entre os pontos destacados estão a ampliação da competência da Justiça do Trabalho, incluindo, por exemplo, diversos conflitos sindicais.

Também participaram da sessão:

  • o presidente da Anamatra, Valter Souza Pugliesi;
  • a ex-presidente da Anamatra Beatriz de Lima Pereira; e
  • a deputada Erika Kokay (PT-DF).
A cerimônia foi presidida pelo senador Laércio Oliveira, que elogiou as contribuições da Anamatra para o processo legislativo - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
A cerimônia foi presidida pelo senador Laércio Oliveira, que elogiou as contribuições da Anamatra para o processo legislativo - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
A sessão aconteceu a pedido do senador Paulo Paim, que participou da cerimônia de forma remota. Ele destacou a atuação da Anamatra diante do que chamou de fragilização de direitos dos trabalhadores - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
A sessão aconteceu a pedido do senador Paulo Paim, que participou da cerimônia de forma remota. Ele destacou a atuação da Anamatra diante do que chamou de fragilização de direitos dos trabalhadores - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Fundador da Anamatra, Horácio de Senna Pires criticou as “reformas castradoras [resultantes] de um novo liberalismo” que busca reduzir as regras estatais para o trabalho.
Fundador da Anamatra, Horácio de Senna Pires criticou as “reformas castradoras [resultantes] de um novo liberalismo” que busca reduzir as regras estatais para o trabalho. "Ouso afirmar que o direito do trabalho é, hoje, mais necessário do que no passado", disse ele - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
Procurador do Trabalho, Ângelo Fabiano Farias da Costa ressaltou que a Justiça trabalhista enfrenta hoje muitos desafios:
Procurador do Trabalho, Ângelo Fabiano Farias da Costa ressaltou que a Justiça trabalhista enfrenta hoje muitos desafios: "pejotização", "plataformização", inteligência artificial, entre outros - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello, destacou que a Anamatra defendeu a Justiça do Trabalho quando se cogitou extingui-la - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe Vieira de Mello, destacou que a Anamatra defendeu a Justiça do Trabalho quando se cogitou extingui-la - Foto: Andressa Anholete/Agência Senado