Agressões físicas e verbais, xingamentos, apelidos ofensivos e ameaças estão entre as principais características do bullying. Já o capacitismo se configura como o preconceito e a discriminação contra pessoas com deficiência, quando elas são tratadas como inferiores, incapazes ou menos valiosas em razão de limitações físicas, intelectuais, sensoriais ou psicossociais. Ambas as práticas provocam intensos sofrimentos físicos e psíquicos às vítimas.
Com o objetivo de enfrentar esses problemas, ainda recorrentes no ambiente escolar, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Inclusão e Acessibilidade (Semiac), em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia (Semec), lançou oprograma “Educar para Incluir”. A iniciativa buscaconscientizar alunos, professores, pais e responsáveis de escolas públicas e privadas da capital sobre a gravidade dessas práticas e a importância de combatê-las.

O lançamento do programa ocorreu na quarta-feira, 28, na Escola Municipal Olga Benário, no bairro das Águas Lindas, e no Colégio São Paulo, localizado no bairro do Marco, reunindo ampla participação da comunidade escolar. Nesta quinta-feira, 29, foi a vez da Escola In Integrado, no bairro de Nazaré, receber a capacitação promovida pela Semiac.
A ação contou com uma palestra ministrada pela diretora da Semiac, Larissa Martins, e reuniu cerca de 80 participantes, entre alunos do 6º ao 9º ano, professores, dirigentes, pais e responsáveis. Durante a atividade,foram abordados de forma didática os conceitos de bullying e capacitismo e apresentados exemplos práticos para identificar essas condutas no cotidiano escolar.

De acordo com a secretária municipal de Inclusão e Acessibilidade, Paloma Mendes, o programa “Educar para Incluir” tem como principal objetivo combater o bullying e o capacitismo nas escolas. “Culturalmente, o bullying é muito mais falado na sociedade, mas o capacitismo ainda é um termo pouco conhecido. Precisamos falar sobre a discriminação contra pessoas com deficiência.Esse programa visa capacitar toda a comunidade escolar — diretores, gestores, professores, alunos e também os familiares — para combater essas duas práticas”, destacou.
A meta do projeto é levar o programa, até o mês de junho, a 22 escolas da cidade, entre unidades municipais e particulares,alcançando cerca de mil pessoas capacitadas no ambiente escolar, incluindo alunos, gestores, professores e familiares.

Durante a palestra, Larissa Martins explicou em que consistem o bullying e o capacitismo e como identificar quando um aluno está praticando essas agressões contra colegas.Com o auxílio de vídeos, a diretora destacou que “piadas” deixam de ser engraçadas quando o alvo não ri, e que tratar pessoas com deficiência como incapazes de realizar determinadas ações é uma forma clara de capacitismo, além de evidenciar a dor e o sofrimento causados por esse tipo de atitude.
O estudante Pedro Mendonça, de 13 anos, aluno do 9º ano, aprovou a iniciativa. “Gostei da forma divertida como ela abordou o assunto, consegui prestar atenção. Acho muito importante discutir esse tema para todo mundo entender que bullying e capacitismo são coisas erradas e que precisamos incluir todo mundo”, afirmou.

O professor de matemática da Escola In Integrado Joaquim Eiras participou da atividade com o objetivo de aprofundar seus conhecimentos. “A palestra me ajudou acompreender melhor os termos e a forma correta de me portar com alunos atípicos, além de aprender a me dirigir a eles de maneira adequada, sem usar termos pejorativos ou equivocados”, explicou.
A capacitação integra um conjunto de ações contínuas do programa. As 22 escolas participantes serão acompanhadas até junho pela Semiac, em parceria com a Semec, para avaliar a efetividade das medidas de combate ao bullying e ao capacitismo.
“Adaptamos uma ficha específica de bullying e capacitismo para que as escolas possam registrar os casos.Vamos monitorar essas ocorrências ao longo dos mesese, se não forem solucionadas internamente, a Secretaria poderá acionar um fluxo externo, como o Ministério Público, o Conselho Tutelar, entre outros canais”, informou a secretária Paloma Mendes.
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