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Lançamento do Projeto Guardiãs da Floresta reúne lideranças da Amazônia

O evento destacou o papel das mulheres na conservação da floresta e na bioeconomia, reunindo representantes do poder público, organizações sociais ...

03/07/2026 19h42
Por: Redação
Fonte: Secom Pará
Foto: Lucas Maciel / Ascom Semas
Foto: Lucas Maciel / Ascom Semas

Na Arena Central do Parque de Bioeconomia, em Belém, a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) participou nesta sexta-feira (3) do lançamento do Projeto Guardiãs da Floresta, iniciativa voltada ao fortalecimento de lideranças femininas na proteção dos territórios amazônicos e promoção de justiça climática. O evento reuniu representantes do poder público, organizações da sociedade civil, instituições parceiras e lideranças socioambientais. A iniciativa busca conectar e fortalecer mulheres que atuam na conservação da floresta.

Idealizado pela psicanalista junguiana Marianna Protázio, o projeto nasce com a missão de identificar, formar e articular mulheres que desenvolvem ações de conservação ambiental em seus territórios, promovendo troca de experiências, fortalecimento de capacidades e construção de uma rede de lideranças comprometidas com a proteção da biodiversidade, a valorização dos conhecimentos tradicionais e o enfrentamento das mudanças climáticas.

A programação foi organizada em três painéis temáticos, mediados por Marianna Protázio: "Cidadania e Território"; "Sociobioeconomia e Inovação" e "Saúde e Bem-estar", que encerrou os debates abordando a qualidade de vida das populações amazônicas.

Ao apresentar o projeto, Marianna Protázio destacou que proteger a Amazônia passa, necessariamente, pelo fortalecimento das pessoas que vivem na floresta, especialmente das mulheres. Segundo ela, "quando falamos em manter a Amazônia em pé, estamos falando de cuidar das pessoas que vivem nela. A floresta só continuará cumprindo seu papel de equilibrar o clima do planeta se houver desenvolvimento sustentável, reconhecimento dos saberes tradicionais e valorização de quem protege esse território diariamente. A questão de gênero atravessa toda essa discussão, porque fortalecer as mulheres amazônidas significa fortalecer as comunidades, a conservação ambiental e o futuro da própria Amazônia".

No painel "Cidadania e Território", a diretora de Gestão Socioeconômica da Semas, Nívia Pereira, ressaltou a evolução da participação das comunidades tradicionais na construção das políticas públicas ambientais no Estado. "Hoje, as políticas públicas são construídas de forma muito diferente do que acontecia anos atrás. As comunidades tradicionais, os povos indígenas e os quilombolas participam desse processo desde a escuta até a implementação das ações. Isso faz com que as políticas sejam mais efetivas, porque consideram o modo de vida, as necessidades e os desafios de quem está no território. É essa construção conjunta que fortalece a conservação ambiental, promove desenvolvimento sustentável e garante que as pessoas se reconheçam como protagonistas das soluções", informou Nívia Pereira.

Modelo sustentável- Durante o painel "Sociobioeconomia e Inovação", a diretora de Bioeconomia da Semas, Mariana Oliveira, frisou que o fortalecimento das lideranças femininas dialoga diretamente com a estratégia do Governo do Pará destinada a consolidar a bioeconomia como um modelo de desenvolvimento sustentável.

"A bioeconomia vai muito além da geração de renda. Ela representa uma estratégia de desenvolvimento que integra conservação da floresta, inclusão social, inovação e valorização dos conhecimentos tradicionais. Esse processo só acontece quando Estado, academia, setor privado, organizações da sociedade civil e comunidades atuam de forma coordenada. Nosso papel é criar condições para que as políticas públicas cheguem aos territórios, fortaleçam as cadeias produtivas e transformem o conhecimento existente na Amazônia em oportunidades concretas para quem vive na floresta", ressaltou.

Ouvir as comunidades- Representando o Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), a pesquisadora Marlúcia Bonifácio enfatizou a importância da escuta das populações tradicionais para orientar políticas públicas e estratégias de desenvolvimento voltadas à bioeconomia.

"A primeira contribuição da ciência é ouvir. Antes de apresentar respostas, precisamos compreender o que essas mulheres e comunidades entendem por bioeconomia, qualidade de vida e bem viver. Existem diferentes formas de produzir riqueza e desenvolvimento, muitas delas baseadas na cooperação, na troca de saberes e em valores que nem sempre são traduzidos pelos indicadores tradicionais. O desafio é construir esse conhecimento de forma coletiva, aproximando a academia dos territórios e transformando essa escuta em políticas públicas e soluções que façam sentido para quem vive na Amazônia", disse a pesquiadora.

A participação da Semas reforça o compromisso do Governo do Pará com políticas públicas que integram conservação ambiental, desenvolvimento econômico e inclusão social. Nos últimos anos, a Secretaria tem ampliado iniciativas voltadas ao fortalecimento das cadeias da sociobiodiversidade, ao incentivo à bioeconomia e à valorização das populações que vivem e protegem a floresta.

O lançamento do "Guardiãs da Floresta" também reforçou a importância da atuação conjunta entre governos, organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa e comunidades para ampliar o protagonismo feminino na agenda climática e impulsionar soluções inovadoras para a conservação da Amazônia. A iniciativa contribui para fortalecer uma rede de mulheres guardiãs de territórios, reconhecendo seu papel na construção de um futuro mais sustentável para a região.