O Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HC), em Belém, realizou uma visita terapêutica com pacientes acompanhados pelo grupo de pesquisa “Resgate do Ser” ao Centro Cultural e Turístico Tancredo Neves (Centur). A programação incluiu visita guiada à Biblioteca Pública Arthur Vianna e sessão de cinema, utilizando o acesso à cultura e ao lazer como parte do processo terapêutico em saúde mental.
Durante a atividade, os participantes conheceram espaços como o infocentro, acervo circulante, obras do Pará, Espaço Braille e a fonoteca da biblioteca, onde puderam ouvir músicas e interagir entre si. Após a visita, o grupo participou de uma sessão do filme Soul, animação que aborda emoções, relações interpessoais e desenvolvimento pessoal.
Segundo o enfermeiro Mário Antônio Vieira, coordenador do grupo de pesquisa “Resgate do Ser” do HC, as atividades externas ajudam os pacientes a retomarem vínculos sociais e ampliarem as possibilidades de convivência fora do ambiente hospitalar. “Essas atividades são uma oportunidade para que eles conheçam espaços públicos de Belém e percebam que podem usufruir desses locais no dia a dia. Nesse espaço, eles conseguem modular melhor pensamentos relacionados aos delírios e às alucinações, além de interagir com outras pessoas fora do ambiente hospitalar”, explicou.
De acordo com o coordenador, a proposta também busca estimular autonomia e participação social durante o processo terapêutico.
A terapeuta ocupacional Ana Clara Ferreira destacou que as visitas fazem parte de uma estratégia voltada à inclusão social e ao fortalecimento da cidadania dos pacientes. “A gente está promovendo uma ocupação muito importante, que é o lazer. Além disso, promovemos participação social, cidadania e acesso à cultura. Muitos pacientes psiquiátricos sofrem processos de exclusão e marginalização e, muitas vezes, não acessam espaços públicos por conta dos estigmas”, afirmou.
Segundo a profissional, o contato com os equipamentos culturais da cidade ajuda os pacientes a ressignificarem a relação com os espaços públicos e ampliarem as perspectivas de participação na vida social. “A gente tenta ressignificar todo esse processo para que eles possam ter participação social, acesso à cultura e cidadania cultural”, reforçou Ana Clara.
Bem-estar e memórias afetivas
Além dos benefícios terapêuticos imediatos, a terapeuta ocupacional explicou que as experiências costumam permanecer na memória dos pacientes mesmo após o retorno ao hospital. “São passeios que ficam muito gravados na memória deles. Alguns retornam ao hospital lembrando dos lugares que visitaram. Isso promove memórias afetivas, melhora do humor e sensação de bem-estar”, contou.
Ainda segundo Ana Clara, as atividades despertam novas possibilidades de interação com a cidade e fortalecem o sentimento de pertencimento social. “Eles percebem que existem espaços na cidade que podem frequentar e participar. Isso tem um impacto muito significativo na vida deles de forma geral”, concluiu.
A visita foi acompanhada pela bibliotecária Simone Rabello, da Biblioteca Pública Arthur Vianna. Ela ressaltou a importância de aproximar a população dos espaços culturais públicos. “Foi um prazer recebê-los. Hoje eles conheceram diversos ambientes da biblioteca e puderam interagir, ouvir músicas e compartilhar experiências. Foi muito gratificante”, declarou.
A Biblioteca Pública Arthur Vianna funciona de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, com acesso livre para visitação individual. Grupos e instituições podem solicitar visitas guiadas por meio do e-mail cdpav@fcp.pa.gov.br.
Texto: Kelly Barros (Ascom HC)
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