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Belém

Vigilância permanente fecha o cerco contra a doença de Chagas

A Prefeitura de Belém mantém uma estratégia permanente de prevenção à doença de Chagas, com foco na vigilância da cadeia produtiva do açaí. Confira.

08/01/2026 12h55
Por: Redação
Fonte: Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém

Diante do registro recente de casos de doença de Chagas associados ao consumo de açaí em municípios da região, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma), reforça que o município mantém umaestratégia permanente de prevenção e vigilânciavoltada à segurança alimentar e ao controle da transmissão oral da doença.

Belém avançou de forma consistente no enfrentamento da doença de Chagas ao investir emações integradas de vigilância territorial, fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e qualificação da cadeia produtiva do açaí. Essas medidas vêm sendo desenvolvidas de forma contínua ao longo de 2025, com base em dados, presença nos territórios e articulação intersetorial.

Um dos principais eixos dessa estratégia é o projetoAçaí no Ponto, desenvolvido em parceria com o laboratório de Patologia Geral do Instituto de Ciências Biológicas daUniversidade Federal do Pará(UFPA). A iniciativa realizou umcenso georreferenciado dos pontos de processamento e comercialização de açaí in naturaem Belém, permitindo ao município conhecer com precisão onde o alimento é produzido e comercializado.

Até janeiro de 2026,mais de 1.870 estabelecimentosforam identificados e mapeados em todos os distritos administrativos da capital — um crescimento expressivo em relação aos111 registros existentes no início do levantamento. O trabalho contou com a atuação direta de725 agentes comunitários de saúde (ACS), vinculados à Atenção Primária, que percorreram bairros, feiras e áreas periféricas da cidade.

Iniciado em 2025,o mapeamento passou a integrar umapolítica contínua de vigilância territorial, cujos resultados orientam fiscalizações sanitárias, ações educativas, capacitações de batedores de açaí e o monitoramento permanente da cadeia produtiva. A transmissão oral da doença de Chagas, associada ao consumo de alimentos contaminados, especialmente o açaí, é um desafio histórico na região amazônica, e o conhecimento detalhado do território é fundamental para reduzir os riscos à população.

Os dados levantados também evidenciaramdesigualdades territoriais. distritos administrativos como o do Guamá (Dagua) e o do Bengui (Daben) concentram maior número de pontos cadastrados, enquanto áreas insulares, ribeirinhas e de menor adensamento urbano ainda apresentam lacunas no mapeamento e menor cobertura da Atenção Primária. A partir desse diagnóstico, a Prefeitura de Belém já planeja a ampliação da cobertura da APS nessas regiões, além de ações direcionadas de vigilância sanitária e monitoramento contínuo.

Foto: Reprodução/Agência Belém
Foto: Reprodução/Agência Belém

Mais de 650 batedores capacitados

Ao longo de 2025, a Sesma também investiu fortemente naqualificação da cadeia produtiva do açaí. Foram655 batedores capacitadosem práticas seguras de processamento, com foco nobranqueamento do fruto e nas boas práticas sanitárias, em formações realizadas na Casa do Açaí, espaço municipal de referência para a qualificação do setor. O branqueamento, quando executado corretamente, elimina oTrypanosoma cruzi, agente causador da doença de Chagas, funcionando como uma barreira térmica essencial no processamento do açaí in natura.

De forma complementar,o município fortaleceu a resposta assistencial ao investir na capacitação em serviço de profissionais da Atenção Primária à Saúde, em parceria com o Hospital Universitário João de Barros Barreto. Ao todo,336 profissionais, entre agentes comunitários de saúde, médicos e enfermeiros, foram qualificados para a identificação precoce de casos suspeitos, o manejo clínico adequado, a notificação oportuna e a articulação com as vigilâncias sanitária e entomológica.

A estratégia ampliou a capilaridade da Atenção Primária, reduziu o risco de subdiagnóstico e fortaleceu a integração entre vigilância e assistência, consolidando uma resposta municipal mais eficiente, resolutiva e alinhada às necessidades da população.

Especialistas envolvidos no projeto destacam que a iniciativa fortalece não apenas o combate à doença de Chagas, mas também asegurança alimentar e a valorização do açaí, um dos principais símbolos culturais e econômicos da Amazônia. Ao integrar ciência, gestão pública e trabalho de base nos territórios,Belém se consolida como referência nacional em estratégias territoriais de prevenção de doenças negligenciadas.

A experiência reforça que o enfrentamento da doença de Chagas exige ações contínuas, baseadas em dados, proximidade com a comunidade e fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS). Em Belém, esse trabalho segue como prioridade da gestão municipal, com foco na prevenção, na proteção da população e na segurança dos alimentos consumidos diariamente pela população.