Osonho que atravessou décadas de espera, incertezas e promessas não cumpridas começa, enfim, a ganhar formapara quem nunca deixou de acreditar. É com emoção contida na voz e lágrimas nos olhos que Maria das Graças Sousa Bentes, 68 anos, e Simeão Margalho, 50 anos, moradores da antiga ocupação Arthur Bernardes, relembram a longa espera por um lar definitivo.
“Eu espero há mais de 20 anos por esse momento e nunca desisti. Morei 13 anos na ocupação e hoje vivo de aluguel pago pela Prefeitura. Achei que não ia viver pra ver isso acontecer”, confessa Maria das Graças, segurando firme o documento que garante sua inclusão no empreendimento.
Ao lado, Simeão Margalho também compartilha a expectativa. “Hoje eu moro de aluguel pago pela prefeitura e aguardo com muita ansiedade pela minha casa. São muitos anos de luta e espera. Agora, eu só quero ter um lugar definitivo pra viver”, afirma.


As histórias se entrelaçam com a própria trajetória do Residencial Neuton Miranda, no bairro do Telégrafo, em Belém,obra que ficou paralisada e abandonada por quase duas décadas. Iniciado em 2014, após contratação ainda em 2011 pelo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC),o projeto enfrentou entraves técnicos, fundiários e administrativos que impediram seu avanço.
Na noite desta quarta-feira (1º), no entanto, um novo capítulo foi oficialmente iniciado. O prefeito de Belém, Igor Normando, e o ministro das Cidades, Jader Filho, assinaram o ato de retomada das obras do residencial, considerado estratégico para a política habitacional do município.

Em outro momento, Normando reforçou o papel da gestão municipal na articulação para viabilizar o empreendimento: “Em apenas um ano de gestão, conseguimos avançar na regularização do terreno, manter a construtora e garantir o enquadramento no Minha Casa, Minha Vida. Isso mostra que, com responsabilidade e parceria, é possível transformar realidades”.



Coordenada pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), em parceria com o Governo Federal, através do Ministério das Cidades, a obra terá duração de 18 meses e será executada pela Construtora SMC, beneficiando diretamentecerca de 840 pessoas.
Ao todo, serão168 unidades habitacionais, distribuídas em 21 blocos, com quatro pavimentos cada, além de equipamentos comunitários como centro comunitário, biblioteca, playground e espaços de convivência.
Com investimento superior a R$ 32,5 milhões, o projeto foi reestruturado e incorporado ao “Minha Casa, Minha Vida”,na modalidade Fundo de Arrendamento Residencial (FAR), garantindo viabilidade financeira e institucional para sua continuidade.

A retomada só foi possível após uma série de avanços recentes, como a regularização do terreno, oficializada em 2025 pelo Governo Federal, e a habilitação do empreendimento para contratação em 2026, consolidando o processo que agora sai do papel.
O ministro das Cidades, Jader Filho, destacou a importância da retomada da obra e o compromisso do Governo Federal com a habitação. “Retomar obras como essa é garantir dignidade para quem mais precisa. O Governo Federal está empenhado em tirar do papel projetos parados e transformar a vida de famílias que aguardam há anos por uma moradia digna”, afirmou.