Ao longo de outubro e novembro, as equipes dos escritórios locais da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Alenquer, Belterra, Curuá, Juruti, Óbidos, Oriximiná, Mojuí dos Campos, Terra Santa e Santarém, no oeste do Pará, estão se reunindo com representantes das agências pólo do Banco da Amazônia (Basa) para alinhar metas e impulsionar crédito rural.
De acordo com estimativas do escritório regional da Emater em Santarém, uma das jurisdições correlatas, junto com o escritório regional da Emater no Médio Amazonas, a convergência de atuação bi-institucional pode resultar em contratos individuais de mais de R$ 50 mil, em volume coletivo que superaria o meio milhão de reais por município até o fim do ano.
Uma das atividades destacadas para financiamento público na região é a pesca artesanal. As propostas também reforçam o atendimento a assentados da reforma agrária, extrativistas e indígenas. “É um momento de ajuste, por conta da transição da plataforma de cadastro socioambiental e atualização de planilhas, já que o Basa adotou novas ferramentas", ressaltou.
"O objetivo geral é destravar a política pública de crédito rural e fazer cumprir o Proater [Plano de Assistência Técnica e Extensão Rural - instrumento de gestão anual da Emater em cada município e em cada região]”, comenta o supervisor-adjunto do escritório regional da Emater em Santarém, o engenheiro de alimentos Marcelo Jares, especialista em Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável.
Benefícios
Em Óbidos, a pescadora Rosinele Mamede, de 33 anos, mais conhecida como “Nelinha”, moradora do assentamento federal Três Ilhas, diz que o crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), via projeto da Emater com o Basa, recebido este ano pela família “mudou nossa conjuntura”. O dinheiro foi usado na compra de bóias, cabos, malhadeira e trança, entre outros apetrechos.
Nelinha e o marido, Lailson Carvalho, de 36 anos, trabalham de segunda a sexta, em bajara, canoa ou rabeta sobre as águas do rio Auerana, desde a madrugada até o fim da tarde, na captura de camarão e de peixes como dourada e filhote.
Além de comercializados, os produtos são consumidos, ainda, em casa: os filhos Lorenson, de seis anos; Raian Lucas, de 11 anos, e Lenilson Ronan, de 12 anos, costumam comer com farinha d’água.
“Todo mundo sabe que material de pesca é muito caro, então abrir a porta financeira facilitou muito para que a gente mantivesse e melhorasse a atividade. Este é só o primeiro crédito de muitos que ainda virão, com a ajuda da Emater”, diz.
Texto: Aline Miranda / Emater Pará
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